Autor: Jaqueline Frutuoso

  • Ansiedade Generalizada: quando a preocupação não dá trégua

    Ansiedade Generalizada: quando a preocupação não dá trégua

    Sentir ansiedade faz parte da vida. É uma resposta natural do corpo diante de situações de perigo, mudança ou incerteza. Mas, quando a ansiedade deixa de ser pontual e passa a ocupar todos os espaços do dia a dia — mesmo sem um motivo claro — é hora de olhar com mais atenção.

    O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) se caracteriza por uma preocupação excessiva, persistente e difícil de controlar sobre diferentes áreas da vida: saúde, trabalho, família, finanças, rotina… Mesmo quando tudo parece estar “bem”, a mente continua antecipando riscos, catastrofizando cenários e se preparando para o pior.

    Quem convive com TAG costuma se sentir exausto. O corpo manifesta sinais como tensão muscular, insônia, inquietação, dificuldade de concentração, irritabilidade e cansaço constante. É como se o sistema de alerta estivesse sempre ativado — mesmo sem ameaça real.

    Mais do que “pensar demais”, a ansiedade generalizada envolve padrões cognitivos e emocionais profundos. Ninguém escolhe viver em constante estado de alerta. E, ao contrário do que muitos ainda acreditam, isso não se resolve com “pensamento positivo”.

    O tratamento envolve acolhimento, escuta qualificada e intervenções psicológicas baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser indicado. O objetivo não é eliminar toda e qualquer preocupação — isso seria irreal —, mas ajudar a pessoa a lidar de forma mais saudável com seus pensamentos, emoções e sensações.

    Falar sobre ansiedade com responsabilidade é uma forma de reduzir estigmas e ampliar o acesso à saúde mental. Se você se reconhece nesse texto, saiba: você não está sozinho(a). E há caminhos possíveis para viver com mais leveza — mesmo com a ansiedade por perto.

  • TDAH: quando o mundo interno se move mais rápido que o externo

    TDAH: quando o mundo interno se move mais rápido que o externo

    O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é “falta de foco”, “preguiça” ou “desorganização”. Também não é algo que “só acontece na infância” ou que “todo mundo tem um pouco”.
    O TDAH é uma condição neurobiológica, com bases genéticas, que afeta a forma como a pessoa regula sua atenção, impulsividade e níveis de atividade.

    Pessoas com TDAH costumam conviver com um conjunto de sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade. Mas o TDAH vai muito além disso: ele pode impactar profundamente a autoestima, a produtividade, a vida social e os vínculos familiares.
    Muitos passam anos se sentindo inadequados, frustrados por “saber o que fazer, mas não conseguir fazer”, carregando rótulos injustos e alimentando autocríticas constantes.

    O diagnóstico do TDAH é clínico, realizado por profissionais especializados. Ele exige escuta atenta à história de vida, aos sintomas e aos prejuízos associados. Não se trata de “testes rápidos” nem de autodiagnóstico.

    A boa notícia é que existe tratamento. Psicoterapia, psicoeducação, estratégias de organização e, quando necessário, o uso de medicação — tudo isso pode transformar significativamente a qualidade de vida. O objetivo é ajudar a pessoa a compreender seu funcionamento e desenvolver ferramentas que respeitem sua neurodivergência.Falar sobre TDAH com responsabilidade é um ato de cuidado.
    Se você se identificou com esse texto — ou conhece alguém que possa se beneficiar — saiba: entender é o primeiro passo para acolher.

  • Vínculos familiares e relações parentais: raízes que nos formam

    Vínculos familiares e relações parentais: raízes que nos formam

    As primeiras relações da nossa vida não são apenas as mais antigas — são também as mais formadoras e as que mais nos ensinam. É nos vínculos familiares, especialmente com as figuras parentais, que aprendemos o que é afeto, segurança, valor pessoal e como nos relacionar com o mundo.

    Esses vínculos, no entanto, nem sempre são simples ou ideais. Muitos de nós crescemos em ambientes onde o amor vinha acompanhado de controle, ausência, críticas constantes ou instabilidade emocional. Aprendemos, muitas vezes sem perceber, a anular sentimentos para manter a paz, a agradar para merecer carinho ou a nos responsabilizar por emoções que não nos pertencem.

    Falar sobre vínculos familiares é, portanto, olhar com cuidado para aquilo que nos moldou — não para buscar culpados, mas para compreender como certos padrões ainda ecoam em nossas escolhas, relações e autoestima. Relações parentais saudáveis não são feitas de perfeição, mas de presença emocional, validação, limites claros e espaço para o crescimento individual.

    Na clínica, percebo o quanto revisitar e ressignificar esses vínculos pode ser transformador. É possível honrar nossa história sem perpetuar suas dores. É possível construir novas formas de se relacionar — mais conscientes, mais livres.

    A psicoterapia é um espaço seguro para refletirmos juntos sobre essas raízes emocionais. Ao compreendê-las, podemos escolher com mais clareza o que queremos nutrir — e o que já é hora de deixar ir.

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